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quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Como se chama o teu veleiro?

Não sei que pense deste veleiro que me leva. Não tem nome de santo como é costume terem as embarcações. Parece cortiço para enfrentar todo o mar em redor, frágil demais para suportar, golpe após golpe, a fúria de todas as ondas que tentam impedir-me de avançar. Além do mais, o caminho é longo, todos os mapas o dizem...
E, no entanto, trouxe-me até aqui. Por entre vales de acalmia e contornando cabos tempestuosos, aguentou ventos que pareciam soprados por titãs. As tábuas rangeram mas nunca quebraram. Aliás, sempre se mostraram tão seguras que, a não ser que Deus o queira, e Ele Próprio o faça, soltando o seu divino sopro (e fazendo-me soltar o meu), não me parece que alguma vez venham a quebrar.
Ainda assim, a ondulação incomoda-me. Creio firmemente ter sido feito para correr e saltar, não para navegar. Não tenho alma de marinheiro. Ou pelo menos o meu estomâgo não a tem, e sou eu quem paga, com enjoos, o balouçar que as empinadas cristas salgadas me dão à anca, e aos rins (não, não tenho jogo para isto).

Porém, estou bem aqui. Nesta baía o vento não assobía, parece Zéfiro enquanto se passeia. As ondas parecem não ter quem as acorde e faça levantar, dormem profundamente. Os enjoos parecem estrelas cadentes, rasgam os céus e desaparecem fugazes dos limites da memória. O mar sereno parece terra firme.
Não me lembro de ter traçado rota para este lugar, nem de ter seguido nada nem ninguém, e o rumo que aqui me trouxe não vém nas cartas. Mas não deve ter sido por acaso que cheguei a este porto seguro. O veleiro que me leva não deixa de me surpreender.
A Lua ainda vai baixa no firmamento. Vou sentar-me neste convés fustigado pelo tempo e observá-la enquanto percorre devagar o véu da noite.

Espero pelo amanhecer para atracar.


Jack Pot

P.S. - "Coração"...é o nome do meu veleiro

Jack's Back

Ora então muito bom dia.
Pois é, eu e o MSN fizemos um pequeno jejum, e agora estamos de volta...ou...parcialmente de volta :D

Não tenho que dar explicações, mas apetece-me.
O MSN ganhou o Euromilhões e comprou-me um clube de futebol da segunda divisão distrital da Associação de Vila Real. Um mês foi o tempo que me levou até conseguir com que os populares se revoltassem contra a gerência xD foi mesmo fixe!Excepto a parte em que tive que correr mais depressa que o nosso vice-campeão olímpico de 100m, Francisco ObrasCoelho, para fugir a transmontamos artilhados com foices e forquilhas.

Já o MSN, continua de férias nas Galápagos. Muito gosta de tartarugas aquele rapaz...mas ele volta...quando eu recuperar o dinheiro que investi no futebol e puder enviar-lhe o hélicoptero que devia ter saído há 15 dias xD

Beijinhos e abraços,
FELIZ 2010 a todos

Jack Pot ;)

domingo, 15 de novembro de 2009

Cantinho das Artes - Música Popular Portuguesa

Por vezes, mesmo estando ele sentado durante a maioria das canções, é bom dar algum descanso ao Ray Charles. Os Beatles tinham garra, mas o vinil desgasta. E até mesmo os Kaiser Chiefs ou os Arctic Monkeys, que são mais novos, acabam a precisar de um copo de água (ou de Whisky, ou de limonada, ou de leite...)ao fim de algumas horas de esforço musical.
Por tudo isto, volta e meia vou dar com o Fado ou com música (ainda mais) popular portuguesa.
A seguinte é açoriana, e não acredito que nunca a tenham ouvido. Se for a primeira vez, não será com certeza de arrepender:

"Ponha Aqui o Seu Pézinho

1. Eu nasci à sexta-feira,
com barba e cabeleira,
mais parecia um Anti-Cristo,
que até o Senhor Padre Cura,
que é homem de sabedura,
nunca tal houvera visto.

2. Eu fui de Lisboa a Cintra,
a casa da tia Jacinta,
pr'a me fazer uns calções.
Mas a pobre criatura,
esqueceu-se da abertura,
para as minhas precisões.

3. Eu fui à Praia da Rocha,
fato de banho, galocha,
ver se o mar estava manso
e vi lá uma garota,
toda embrulhada de roupa,
a dormir o seu descanso.

4. E eu fui a Vila Franca,
montado numa tranca,
ao funeral de uma galinha
que tinha dentro do papo
seta cães e um macaco
e um soldado da marinha

5. Toda a moça que é bonita,
se ela chora se ela grita,
nunca houvera de nascer.
É como a maçã madura,
na quinta do Padre Cura:
todos a querem comer.

(refrão)
Ponha aqui o seu pézinho,
devagar, devagarinho,
se vai à Robeira Grande.
Eu tenho uma carta escrita,
para ti, cara bonita;
não tenho por quem a mande"

Ouçam-no!

Jack Pot

P.S. - Por falar em Ray Charles, alguém conhece a música "Hit the Road Jack"? Adivinhem lá quem é o Jack....pois! xD

domingo, 8 de novembro de 2009

Mitos e Lendas - Fénix


"Era do talhe de uma águia, mas os seus olhos eram tão suaves e ternos quanto os da águia são altivos e ameaçadores. O seu bico era cor-de-rosa e parecia ter algo da linda boca de Formosante. O seu pescoço reunia todas as cores do arco-íris, porém mais vivas e brilhantes. Em nuances infinitas, brilhava-lhe o ouro na plumagem. As suas patas pareciam uma mescla de prata e púrpura; e a cauda dos belos pássaros que atrelaram depois ao carro de Juno não tinham comparação com a sua."

Assim descreveu Voltaire a Fénix na sua obra "A Príncesa da Babilónia". Mágica!

Gregos, egípcios, indianos e chineses. Todos contam a lenda da ave de fogo.
Estruturalmente parecida com uma águia e senhora de uma plumagem tão brilhante quanto o Sol, a Fénix representa a força e a sabedoria. Seria capaz de carregar com as patas um peso centenas de vezes superior ao seu e de se transformar em fogo, voando como chama que o vento atiça e o tempo não consome.

A Fénix conseguia sentir a morte aproximar-se e começava a construir o seu último ninho, no cimo de uma palmeira. Então, dona do seu destino, entrava em auto-combustão e ardia até só de si restarem cinzas. Mas eis que do nada nasce a vida, e do seu leito de morte renasce a Fénix. Qual deusa do fogo, a ave mágica, volta ao mundo dos vivos, através das suas próprias cinzas.

Lição da Fénix - Tudo o que não nos mata faz-nos mais fortes!

Jack Pot


Curiosidades:
a) - Dizia-se das suas cinzas que eram capazes de ressuscitar os mortos;
b) - O nome Fénix ("phoenix") pode ter nascido de "phoinix" (palmeira em grego), devido ao historiador grego Heródoto;
c) - Metaforicamente, diz-se de alguém que recupera de um mau momento que é uma Fénix;
d) - Para animal de estimação aconselham-se antes os canários, já que nem largam tantas penas, nem queimam as cortinas. ;)

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

"Quando eu era pequenino...via desenhos animados"

Uma destas tardes, estava eu embrenhado em velocidades e acelerações quando achei por bem arrumar o estudo por um bocado, e deixar os neurónios limpar o suor da testa. Preparei um lanche digno de banquete na corte e liguei a televisão. Imaginei que fosse hora dos desenhos animados por isso procurei a RTP 2. Não me enganei: ZIG ZAG. Qual miúdo de 6 anos que chega da escola, ataquei o meu farnel concentrado na bonecada. :D

...mas...

Naaaaaaaaah!! Que tédio!
Ao fim de meia hora e 4 séries diferentes rogava a deus para que me devolvesse o estudo de mecânica. Não fosse a "avô Prudência" e teria até perdido o apetite.
---> "Os monstros do Mário" - Mas que Mário é este, e porque é que gosta de andar com monstros à perna!?
---> "Telmo e Tula" - Duas crianças que andam de lado, apresentam uma aula de costura com a ajuda de um adulto que não fala porque é timido!? E porque é que o pobre do adulto era já careca e de bigode durante a infância?!
---> "Super Sabina" - Foi aqui que desisti... uma heroína que vence os vilões com a ajuda de um dicionário é demais para mim...

Fiquei desiludido. Tristes crianças... não admira que os miúdos não pensem em mais nada senão PlayStation, depois daquilo eu próprio precisei de um joguinho de PES para desanuviar.

Isto porque, quando eu era pequenino, havia desenhos animados do melhor. Oitava Maravilha do Mundo. Quem é que nasceu no último quarto de século e nunca viu "A Pantera Cor-de-rosa", "Popeye" ou "Lucky Luke"?! Ou então, para os que preferem o oriente, "Navegantes da Lua" (isto era para meninas...), "Oliver e Benji" ou "Dragon Ball"?! Assim valia a pena correr da escola até casa.

E para pais que gostam de dar aos seus rebentos entretenimento educativo ainda havia "Era uma vez o corpo humano" ou "Era uma vez a Humanidade" (como acham que aprendi que os bébés não vinham de França no bico de uma cegonha?)

Nem vou continuar a enumerar porque isto tem um limite máximo de caracteres... Mas deixo um apelo às educadoras de infância: pelo amor de deus, não os deixem crescer sem ver Toy Story!! É tudo quando peço.

Jack Pot

P.S. - "Quando eu era pequenino..." tema mensal partilhado.

P.P.S. - Esqueci-me de um ponto favorável do ZIGZAG. A "ovelha choné" é fixe!!

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Intermitências da vida

O candeeiro público parece indeciso lá fora. A luz entra intermitente por três frinchas da persiana mal corrida e resume o escuro do quarto a um negro ténue. Sentado na cama, encostado à cabeceira, consigo distinguir as minhas mãos entrelaçadas entre as canelas, mas não os seus traços. Devia dormir. Bastar-me-iam os dedos de uma mão para contar o número de horas que restam até ao nascer do Sol. Mas não consigo dormir. O sono ataca-me, feroz, mas não consegue derrubar-me. Este estado de dormência consciente é demasiado poderoso, não tenho como fugir a estas memórias tão frescas. Não quero fugir-lhes.
Continuo a olhar para as mãos, mas é o infinito que estou agora a focar. Sei que ele me conduzirá a um outro momento, num outro lugar...

Teletransportado. Num piscar de olhos deixei o aconchego dos meus lençóis e voltei ao centro da cidade. Aquela memória era tão recente, tão viva... Sentia o cheiro a tabaco de alguém que fumava perto de mim. O estardalhaço que as conversas faziam à minha volta. A praça era enorme e, ainda assim, estava cheia de gente. Tão bonita aquela praça de pedra, presa num século que não o nosso, protegida pelos leões que se erguiam bem no centro. Achei que nada poderia deslumbrar-me mais. Mas eis que desviei o olhar dos felinos ali esculpidos, virei a cara e vi aquele sorriso. A beleza personificada numa expressão. Percebi que me enganara, nem todas as praças do mundo se lhe poderiam comparar. Vê-la sorrir não era apenas bonito, era mágico. Não sei quanto a todos os outros, mas para mim o tempo desacelerava. Infelizmente, não chegava a parar, apenas se arrastava de um momento para o seguinte em valiosos fotogramas. Pensei que se o céu existe, então não deve estar bem guardado, caso contrário como poderiam ter deixado fugir de lá aquele brilho.
Obriguei-me a parar e esfreguei os olhos com as duas mãos, instintivamente. Quando voltei a abri-los estava de novo no meu quarto.

Aquele brilho...
Procuro a almofada e deito a cara completamente ofuscado.
Aquele sorriso é como canto de sereia. Por mais que tente, por mais que lute, sei que sempre me vence. Posso nega-lo ao mundo, mas ninguém mo nega a mim.
"Quero dormir. Por favor, não brilhes mais...esta noite."

O candeeiro decidiu-se, finalmente.


Jack Pot

sábado, 10 de outubro de 2009

Em casa só na Luz

Para quem não leu o último texto publicado neste ilustríssimo blogue (Ilustre, sim!! Tanto que até a Bela Adormecida deixa comentários, vejam lá) e não sabe porque haveria o MSN de ser seleccionador, eu explico: Mário Sousa Negreiros inventou ontem o melhor Onze com que a nossa selecção pode de facto jogar!! Ou, pelo menos, o melhor que se arranja sempre que o Nuno Gomes esteja cansado...E é equipa para ganhar os jogos, no mínimo no mínimo, por muitos. Até mesmo no Estádio de Alvalade (Delírio nas bancadas!!!)...se calhar até com o Veloso a lateral podia dar para ganhar, mas também não vou arriscar, porque nunca se sabe quando é que ele se lembra que desfilou naquele fato XS da Fátima Lopes e desata a chorar no meio do campo (força rapaz, vais superar esse trauma, estamos contigo).

No entanto, temos um problema! E tem nome e tudo: Carlitos Queiroz. Eu não vou criticar o homem porque sei que ele não pode fazer milagres. Vou criticá-lo porque nos põe a rogar por milagres!! Já ia sendo hora de parar com as invenções e começar a pensar em montar um equipa como deve ser. Não custa assim tanto. O MSN, que nem estagiou em Manchester nem em Madrid, fez a equipa dele num quarto de hora.
Se bem que eu acho que o Queiroz está é com medo de voltar à África do Sul. Sabe-se lá se os moços ainda se lembram do que ele fez por lá. Nunca fiando...

Ora, não sendo possível transpor este obstáculo, devo dizer (cheio de orgulho de mim mesmo :D) que encontrei, não uma, mas duas soluções para a selecção. Não para esta qualificação, que por agora o melhor é mesmo rezar pelo milagre. Mas nas seguintes não damos hipótese.

Solução 1 - Fazer todos os europeus e mundiais em Portugal! (Brilhante, eu sei, obrigado) O povo gosta e, assim como assim, já temos os estádios. Era bom para todos.

Porém, como sei que o Platini não vai muito à bola com a portuguesada (é tão lindo quando os sentimentos são correspondidos, não é?), achei por bem pensar noutra solução. Mais trabalhosa, mas igualmente bonita.

Solução 2 - Fazer todos os jogos em casa no Estádio da Luz. Simples e eficaz. Sem espinhas! Já digo isto desde o tempo dos Afonsinhos, e esta noite confirmou-se. Que eu me lembre só lá perdemos uma vez, e foi roubalheira porque os gregos jogavam de azul e branco. (sempre que lá vão jogar azuis o campo inclina...é um defeito qualquer da relva). "Ah, mas então e se o jogo for com a Itália ou com os "Avecs choses ici" como é que fazemos??" Boa pergunta. Mas a resposta é fácil, nesse caso, vamos a Braga. xD

Peço, por favor, que alguém envie o link do blogue ao senhor Madaíl e, com sorte, pode ser que joguemos o próximo europeu.
Até lá, continuemos. Eu começo.
"Avé Maria, cheia de graça ... ... ..."

Jack Pot

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Mitos e Lendas - Ícaro

"Por ter, indirectamente, ajudado Teseu a sobreviver ao Minotauro e ao labirinto que ele próprio criara, Dédalo foi exilado pelo rei Minos na ilha de Creta. Juntamente com Dédalo partiu também Ícaro, seu filho. Presos em terra de ninguém, sem escapatória humanamente possível.
No entanto, não fora por acaso que Minos escolhera Dédalo para construir o labirinto tempos atrás. Dédalo era o melhor artesão do reino, dono de um génio ímpar.
Concentrou-se, então, na tarefa de fugir de Creta e acabou por conceber dois pares de asas, para si e para Ícaro, utilizando apenas cera e penas de aves. Antes de se aventurarem, o pai preveniu o filho para que se mantivesse numa trajectória segura, não voando demasiado baixo ou demasiado alto.
Correram carregados de esperança, lançaram-se ao abismo e confiaram a vida aos deuses. Voaram!
Voavam em direcção à liberdade.
Em êxtase, Ícaro bateu as asas e procurou o céu. "Tocarei o céu!..." - sonhou o jovem.
Porém, subiu demasiado e o Sol derretou a cera das suas asas. Num instante procurava o céu, no instante seguinte caía desalentado para o mar, e para a morte."


Foram a ilusão e a euforia que cegaram Ícaro e o mataram {quer dizer, vendo por outro prisma, foi mesmo o mar, mas pronto...). Se voar, por si só, era mágico, voar para o céu seria eterno. Mas, Ícaro, como homem que era, não pôde contentar-se. Voou até onde o sonho o levou. Voou além dos seus limites.

Lição de Ícaro - "Voar tão alto quanto as asas nos possam levar!!"

;)
Jack Pot

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Quim e Zé, à porta do mercado

Z – Atão Quim, que contas home?
Q – Olhó Zé! Vaixe andando, uns dias melhôr, outros piôr.
Z – Oh, já se sabe home. Esta gente não dá nada a ninguém. É tudo uma mão de gatunage.
Q – Poijé! Poijéééé!! Inda no outro dia fui côa minha irmã Guilhermina ali pós lados de Verdoejo comprar uma cabrita comeram-me 15 contos. Toma lá Quim, queres do bô, atão paga e não bufes!
Z – É home é! E agôra cum isto dos ouros, nem se chega a tomar o peso ó dinheiro. Assim que vem, já foi.
Q – Isto tá como há-de ir. O meu rapaz anda estudar lá na cidade , tamem me da sumiço ó dinheiro como quem come tremoços.
Z – Anda a estudar o teu moço? Eu inda me lembra do catraio ser mais piqueno que o chão. Olha, vê lá como eles crescem.
Q – É verdade home, é. E o teu quando casa?
Z – O meu Tó Carlos? Não casa home. Aquilo é como cavalo com cio atrás das moças, não tem juízo nenhum. Inda pra mais saiu ó pai, bonito e jeitoso, não há maneira.
Q – Gaba-te cesto que vais à feira. Onde é que tu és jeitoso, mondrulho?! Olha-me pra esse barril…
Z – Ó, isso é agôra, que tou mais refeito um bocado! Porque eu no meu tempo era um pedaço dum moço. Carrejava cabaços de vinho coma se fossem cestas de cereijas.
Q – Isso há-de ter sido há munto tempo. Mas inda bem que falas porque eu tenho que comprar produto pra vinha e já não me alembrava.
Z – Onde o vais comprar? Não vás ó Jorge da Sanica!! Olha que ele é um trafulheiro.
Q – Homessa! Onde foste buscar isso agôra? Até nem tenho queixa do moço.
Z – Pois, mas tenho eu. Comprei-lhe um par de foices aqui há umas semanas e pujas no coberto junto côas inchadas. Olha, atacou-lhes a ferruge da noite pró dia, não me dão nem pra cortar sebo.
Q – Aaah, tu és munto nabo. Atão deixas as foices novas no coberto, já se sabia que a geada dava cabo delas.
Z – Se fossem das boas não dava.
Q – Tu tamem queres dado e arregaçado. Já me fazes lembrar o meu primo Inocêncio.
Z – Qual teu primo Inocêncio?
Q – Eu só tenho um, qual há-se ser!? O meu primo Inocêncio, home. O Inocêncio! Que ele é ali de São João.
Z – São João d’Arga?
Q – Sim. Que até casou cuma filha do moleiro da Gávea.
Z – Aquele que é munto parecido co Sócras?
Q – Esse! É esse!
Z – Oh, já sei. O Inocêncio. Podias ter dito logo. Conheço, home, conheço. Conheço munto bem. O meu irmão Avelino era munto amigo dele. Chegaram a ir os dois juntos à lampreia.
Q – Ai o Avelino, sim. Ó tempo que não vejo esse trauliteiro.
Z – Tá n’América, home, a trabalhar. Tem lá um restaurante a mais o cunhado. Fazem dinheiro pra eles e pra outros tantos.
Q – Ah, pois é, pois é. Diz que se ganha lá bem a vida.
M – Ó Zé, olhá lá, e se deixasses de dar à treta e me levasses estas sacas.
Z – Pronto, chegou o generau, já tá a dar ordes. Dá cá isso, home. Tu não te canses.
Q – Olá Maria, como tem passado? Vai tudo bem consigo?
M – Nunca piôr senhor Joaquim, nunca piôr.
Q – Ora, o que se quer é saudinha.
Z – E uma boa vinhaça à hora do comer! Vamos lá embora Maria, pra ver se pões o tacho ó lume. Até outro dia Quim, dá comprimentos meus à Candida.
Q – Dou, home, dou. Fuge, vai-te lá embora…


Post Scriptum - Peço aos senhores José e Joaquim que, se por acaso tiverem conhecimento deste blogue, não me apareçam em casa de caçadeira. Tenho muito mais jeito para fugir a quem me ataca de forquilha. Obrigado pela atenção.

Jack Pot

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Eu voto MPA !!

Ora, ontem tivemos eleições. Legislativas, para o caso. Uns senhores e umas senhoras prometeram umas coisas, fizeram-se uns boletins cheios de quadradinhos e siglas estranhas e pediu-se ao povo que saísse de casa ao Domingo para fazer cruzinhas (mas ao que parece nem todos foram na conversa: "sair de casa por causa de um rabisco, homessa!") Pois bem, como cidadão preocupado que sou, cumpri o meu dever, usufrui do meu direito e lá fui eu votar. Foi muito giro, hei-de ir mais vezes. Pena não ter podido trazer a caneta, era toda marada.

Quanto a cores políticas, naah, não gosto, muita confusão, troco esquerda com direita e vou em frente. Por isso, devo dizer que nisto do votar sou MPA, ou seja, Movimento Perpétuo Associativo.
Artista: Deolinda; Compositor: Pedro da Silva Martins ---> Presto tributo a estas vossas palavras! São mais verdadeiras do que qualquer um dos cartazes que enfeitam as ruas do país.

"Movimento Perpétuo Associativo

Agora sim, damos a volta a isto!
Agora sim, há pernas para andar!
Agora sim, eu sinto o optimismo!
Vamos em frente, ninguém nos vai parar!

- Agora não, que é hora do almoço...
- Agora não, que é hora do jantar...
- Agora não, que eu acho que não posso...
- Amanhã vou trabalhar...

Agora sim, temos a força toda!
Agora sim, há fé neste querer!
Agora sim, só vejo gente boa!
Vamos em frente e havemos de vencer!

- Agora não, que me dói a barriga...
- Agora não, dizem que vai chover...
- Agora não, que joga o Benfica...
e eu tenho mais que fazer...

Agora sim, cantamos com vontade!
Agora sim, eu sinto a união!
Agora sim, já ouço a liberdade!
Vamos em frente, e é esta a direcção!

- Agora não, que falta um impresso...
- Agora não, que o meu pai não quer...
- Agora não, que há engarrafamentos...
- Vão sem mim, que eu vou lá ter..."

Já agora deixo o link http://www.youtube.com/watch?v=us9dIcLjfKM

Jack Pot

P.S. - "Vão sem mim, que eu vou lá ter!!"

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Eu Estou Aqui

[Para a Bela Adormecida]

Descartes -"Penso logo existo"
Pedro Abrunhosa -"Eu estou aqui"

Não acredito que estes dois senhores se tenham alguma vez conhecido e partilhado teorias ou versos, mas a verdade é que, mesmo tomando objectivos diferentes, estas suas citações acabam por incidir num ponto comum: Existência!

O facto de ter o computador à minha frente e de gerar uma guerra civil entre os electrões de cada vez que primo cada uma destas teclas, não significaria, para Descartes, a veracidade absoluta do que creio estar a fazer. "Os sentidos podem enganar-nos" dir-me-ia o distinto gaulês, "podes estar a sonhar". {ou a ser controlado pela Matriz...}.
No entanto, o simples desenrolar deste raciocínio, não me garantindo as reais condições em que o faço, asseguram-me a existência. Não posso ter a certeza de como, mas posso ter a certeza de que estou aqui.

Já o senhor Abrunhosa é mais directo, "estou aqui" e ponto final. Parece não se questionar sobre a eventualidade da sua certeza ser apenas sua.

É isto que fazemos no nosso dia-a-dia. Pensamos e agimos, pensamos e agimos. {às vezes agimos e agimos, porque isto de pensar queima muito açucar e a crise não deixa espaço ao desperdício}
Somos senhores da razão e usamo-la para construir o nosso caminho. Mas porque será que escolhemos este caminho, tal e qual como o fizemos?! Pode ser que existam os tais de Universos paralelos e acabemos, sem saber, por escolher todos os caminhos, mas porque motivo estou EU, este ser que Descartes e Abrunhosa me fazem deduzir existir, a pensar sobre isto?! Porque estará o leitor a ler este meu texto, e não outro?
Temos duas hipóteses:
- Obra do acaso.
- Obra das nossas decisões.

Chegado a este ponto, pergunto-me: "se tudo isto é obra do acaso, então, quem é esse tal de acaso, de onde é que veio e que quer ele?" {Porque hoje em dia ninguém dá nada a ninguém xD}
A pergunta até parece feita por um dos apresentadores do Telerural, mas, pensando bem, e tendo em conta tudo o que assumimos ser obra do acaso, parece-me plausível atribuir-lhe existência.
Por outro lado, poderia perguntar-me também: "se tudo isto é obra das minhas decisões, então porque terei eu decidido assim?! Obra do acaso {outra vez este moço!!!}, ou estarei eu programado para decidir assim?! Terei algum poder real de decisão, ou estará já toda a minha existência determinada?!"

Todas estas questões são como maçãs maduras, prontas a soltar-se do galho e cair sobre a cabeça do agricultor que lhes deu vida: Deus!
Será Deus o tal de Acaso? Será Deus um velhinho com bengala e barba branca que escreve num livro os nossos destinos? Será Deus um imenso agregrado de partículas chamado Universo?

Não sei. Mas sei tudo aquilo que preciso saber, por agora,
"Eu estou aqui"!!
;)

Jack Pot

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

"9 de Setembro de 2009"

Reparei na sequência numérica, logo pela manhã, escrita a tinta azul num jornal desportivo. A caligrafia era bonita e fez-me parar um segundo para saborear o simbolismo.

"9 de Setembro de 2009 --> 09/09/09"

Pus a data num pedestal e esperei que algo de anormal ocorresse, mas nada. O dia passou dentro da normalidade de qualquer outro, sem um único sobressalto, e isto fez-me pensar. {de vez em quando lá faço um esforço e ponho o Tico e Teco a trabalhar}
Quantas vezes nos deixamos iludir pela beleza, que nos chega aparecida do nada, sem que motivos reais haja para isso?! Muitas!! A todo o momento...
Racionalmente, não haveria nada que me pudesse fazer crer que o destino me seria mais favorável do que em qualquer outro dia, porém esta certeza acabou abalada por um simples pormenor.
De alguma forma parecemos estar geneticamente concebidos para baixar a defesa face ao cativante. Deixamo-nos deslumbrar e os sentidos entram num estado de latência profunda, talvez para que não atrapalhem a adoração que estamos a projectar em algo ou alguém. Será isto obra do demónio, ou uma fraqueza deliberadamente concebida por parte do Criador, com um objectivo específico?!

Todas estas questões me parecem ser muito maiores do que eu, e terem respostas às quais o comum dos mortais não poderia ter acesso. Vou tentar abster-me de pensar tão egocentricamente e dar o poder ao acaso. Ao fim e ao cabo, seria humanamente inevitável que o Sol nascesse a 9 de Setembro, mas foi apenas por acaso que reparei naquele jornal enfadonho...

P.S. - É claro que, de outro plano, poderia ter visto um 60/60/60 e associar ao célebre número da besta. Mais um dos mistérios do acaso...

Jack Pot

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Mitos e Lendas - Édipo

{"Mitos e Lendas!" O dia 8 de cada mês será, a partir de hoje, dedicado a este tema, cabendo-me a mim a sua elaboração. Serão abordadas fábulas de vários pontos do globo, e de várias eras da história da humanidade, sendo que os heróis helénicos aparecerão como o principal foco de incisão dos meus relatos. A procura da verdade que se esconde por entre séculos de contos e recontos caberá a todos nós. "Por Tutatis"!!!}

Édipo.

"Trágico rei da mitologia grega que, sem saber, matou o pai e casou com a mãe". (os clássicos às vezes têm destas coisas xD)

A história de Édipo contada por completo serviria para ocupar um grupo à volta da fogueira durante todo um serão (...ou para realizar meia dúzia de teses de Psicanálise...), no entanto, deixarei essa árdua tarefa para uma outra noite. Hoje quero relembrar apenas um dos seus episódios.

Conta a lenda que uma Esfinge assombrava a cidade de Tebas, atacando todos os viajantes que por lá passassem e devorando aqueles que não soubessem responder ao enigma que lhes era por ela colocado. Nunca ninguém sobreviveu para o contar...
Certo dia, o monstro encontrou e abordou Édipo, que se dirigia pela primeira vez à cidade.
"Qual o animal que anda sobre quatro pés de manhã, sobre dois ao meio-dia e sobre três ao anoitecer?" - perguntou a Esfinge.
Édipo parou, pensou e respondeu:
"É o Homem! Gatinha durante a infância, ergue-se e caminha quando adulto e recorre à bengala na velhice".
A Esfinge foi assim derrotada e Édipo aclamado Rei de Tebas.

Este episódio da vida de Édipo é, apesar de curto, um dos meus preferidos. Ensina, em primeiro lugar (que os meninos não devem andar sozinhos porque nunca se sabe quando pode aparecer uma esfinge má), que o engenho e a inteligência são armas de defesa muito superiores à força bruta e, em segundo, que as respostas às questões que nos impedem o caminho gostam de se manter escondidas e raramente se encontram à distancia do estender de um braço.

Lição de Édipo: "Olhar além daquilo que os olhos vêem".


Jack Pot

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

O mundo às avessas

Caminho com o espírito livre que me caracteriza, procurando na simplicidade a beleza da vida. Mas, de tempos a tempos, o trilho que percorro separa-se em dois, e sou obrigado a parar e a pensar por qual deles seguir.
"Qual deles é o correcto? Qual me levará a porto seguro?" - a verdade é que nunca se poderá ter a certeza. Não tenho mais senão que usar o instinto e decidir em conformidade com o que a consciência e o coração me aconselham. E assim faço. (gosto de dormir durante a noite)

No entanto, pergunto-me por vezes o que terá acontecido aos "Jack Pot" que em universos paralelos seguiram a outra direcção, em cada uma das decisões que tomei até hoje. Serão muitos milhares de milhões de biliões estes universos, e a imaginação tem neles uma folha branca à espera de um desenho.

Talvez eu seja jogador de futebol num deles, ou corra mais depressa que o Bolt num outro (não, não me parece...xD). Talvez me tenha convertido ao paganismo greco-romano ou seja diplomado em Astronomia. Talvez não conheça o MSN ou a pessoa que mo apresentou (que mundo sombrio). Talvez seja poeta, ou piloto, ou pirata, ou actor ou até, quem sabe, agricultor. Talvez tenha morrido...talvez tenha ganho asas e voado para o céu. As hipóteses são tantas que, aposto, fazem o infinito sentir-se invejoso.

Porém, tenho a certeza de que num desses mundos irreais, ou longínquos, estarei a escrever, mas não sobre cenários fantásticos, como agora. Escreveria, provavelmente, para alguém que estivesse longe, como em França, ou na Lua. Para alguém que sentisse a minha falta como se sente o coração saltar no peito. Para alguém que ouvisse a minha voz ao ler as minhas palavras. Para alguém a quem não teria que escrever se estivesse num outro universo, filho de um outro caminho.

Este mundo está do avesso. Vou endireitá-lo na próxima bifurcação. ;)

Jack Pot

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Insulto ao Minho

Deus criou o Homem, o Homem criou a TVI e a TVI criou as telenovelas portuguesas. Até aqui tudo bem. Quer se goste quer não, são um produto muito bem explorado e de enorme sucesso.
Nada a apontar ao valor comercial.
Por outro lado, o seu valor social e cultural é, na grande maioria dos casos, tangencialmente inexistente.

Vou fazer um esforço e, desta vez, abster-me de críticar a saga dos adolescentes sem sal que todos os fins de tarde lava o cérebro a milhares de jovens em crescimento.
O alvo da minha fúria (sendo que todos os familiares de raiva seriam aqui bem empregues) ocupa o chamado horário nobre e entitula-se "Deixa que te leve".
Depois da passagem por Algarve, Açores e Madeira foi a vez da Camâra Municipal d'Arcos de Valdevez abrir os cordões à bolsa, e as filmagens da estação independente rumaram ao norte. Tal como se esperaria, a vila e os arredores rurais são várias vezes expostos, lado a lado com a sua enorme beleza. No entanto, acredito que os autarcas arquenses nunca teriam pactuado com esta encenação caso fossem cientes da atmosfera que seria montada em volta das suas gentes. Os arquenses são pura e simplesmente ridicularizados nesta novela. Exibidos como neandertais tacanhos, preconceituosos e presos num tempo que já passou. Repetidamente rebaixados, de forma presunçosa e pouco subtil, perante a iluminação divina que parece assombrarr os homens da capital.

Enquanto minhoto que sou também, devo dizer que me sinto humilhado. As minhas gentes não são como aqui as caricaturam. E bem sei que não é esta negação que faz da verdade o que ela é. A verdade está sempre à vista daqueles que a queiram encontrar, não serão sátiras mundanas a conseguir sujá-la.
Não percebo como pode algo tão ruim, tão desfasado da realidade e até insultuoso ser transmitido em canal aberto para toda a nação, e menos percebo que o seja sem que uma crítica à altura se faça ouvir. Por isto decici eu juntar estes ramos e acender a fogueira, na esperança de que me tragam grandes achas que alimentem este fogo.

Não façam de nós o que não somos!

P.S. - Só alguém de fora para escrever um guião onde se diz "Aqui, em Arcos". Ainda que correcto, é profundamente irritante!! Usem-se os apóstrofos, abuse-se da linguagem, fale-se como o povo fala (ganhem-se prémios Nobel...), sejamos naturais, sejamos portugueses!

Jack Pot

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Desabafos de Poseidon

Deitado na praia sobre os pequenos montes e vales arenosos, de costas voltadas para o Sol, ouço o mar falar de uma sereia.

Escondo a cara entre as mãos procurando a penumbra, e escuto.
O seu ronronar embala-me, como os braços de uma mãe a uma criança. Sinto-me desligar até ao ponto em que o consciente e o subconsciente se cumprimentam e é então, entre a realidade e o sonho, que o ouço falar. Usa a minha voz e suspira compassadamente. Conta-me como se sente bem ali. Quente! Confortável sobre a areia fina, divinamente integrado entre o céu e a terra.

Mas não é a harmonia de espírito que o traz ali. Não, é algo mais que o move. Uma ânsia que vem das suas profundezas e lhe turva a razão.
Lutando com o impulso, banha aquela praia atraido pela esperança de encontrar uma sereia que o fascina. Em cada querer sente o mar um não dever, mas o cantar de perdição é tão forte, tão puro, tão cristalino...Incontornável!

Porém, distante.
"Estou preso aqui, não posso ir mais além", diz-me reconfortado.
Não tem mais que os sussurros que o vento lhe traz, laivos de um paraíso que não vê. Os murmúrios chegam-lhe por partes, como pedaços de um manuscrito rasgado que boiando à superfície de um lago se apanham com cuidado, e fazem-no duvidar se a sereia o chama, ou se ele o sonha de tanto o querer. Quando crê tê-los apanhado todos, o vento parece enfurecer-se, corre, assobia, e devolve ao lago os pedaços do mapa desejado.
A imagem da deusa desvanece-se lentamente...

Acordo do meu transe com areia na cara, no mesmo momento em que o vento adormece e devolve a calma à praia. Olho ao fundo e vejo o mar balançar-se serenamente. Imenso, imponente, majestoso como sempre. Estranhamente calado agora.
Viro-me de rompante, num reflexo instintivo, procurando algo, alguém...a sereia de que ouvi o mar falar-me. Mas não, não tenho mais sorte do que ele. Estou rodeado pelos mesmos mortais que me acompanhavam antes daquele devaneio. Olho-os fixamente e a familiaridade das suas expressões levam-me a ponderar quanto de verdadeiro haveria no meu fugidio momento de loucura:
"Eu ouvi o mar falar?! Não pode ser, o mar não fala."

Ou será que fala?


Jack Pot

sábado, 25 de julho de 2009

Tão Apetecível

Quando a vi naquele fim de tarde, não resisti!!

Havia várias semanas que lutava contra o instinto, mas nesse momento fui finalmente vencido. Esmagado. Completamente destroçado pelo meu lado selvagem.

Eram sete da tarde e o Sol aproximava-se, vagarosamente, do horizonte, fazendo com que tudo em volta espelhasse tons alaranjados muito vivos, quase rubros. Como as minhas faces, que ardiam só de a olhar.
Ali, empoleirada naquele muro, e tendo o céu azul como pano de fundo, brilhava resplandecentemente. Estava esplêndida. Enlouquecedoramente apetecível.

Dei um passo em frente para poder vê-la mais de perto. Um passo calado, que não denunciasse a minha presença.
Não denunciou.

Era realmente bela. O pescoço alto, o peito perfeito, as coxas fortes, uma verdadeira deusa. Digna de representar a espécie.
Espiada há já tanto tempo em silêncio, pareceu sentir a minha presença e voltou-se para mim. Fitou-me de lado, com um olhar vazio, distante. Do alto do seu pedestal sabia que eu estava a admira-la e decidiu ignorar-me.
Foi então que cedi. Não podia resistir-lhe mais. Não era possível que alguém pudesse.

Girei sobre as pontas dos pés e percorri o caminho que ali me levara minutos atrás.
Movia-me tão concentrado, tão convicto do que queria, que nem reparei na minha querida avó aparecer-me pela frente, quase esbarrando nela.
Nenhum dos dois se magoou e eu fiquei feliz por tê-la encontrado tão depressa, era exactamente a pessoa que eu procurava naquele momento. Com um dedo apontei-lhe o objecto dos meus delírios, ganhei folêgo, e pedi-lhe:
"Avó, por favor, mata aquela galinha e faz arroz de cabidela!"

O resto da história não será difícil de imaginar.
Aquela galinha era realmente tão gostosa como parecia ser.

:D
Jack Pot

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Cativo em mim

Há beleza que me petrifica.
E eu sinto-o acontecer.

Sinto,
os braços perderem força e as canelas tremerem devagar,
o sangue passear-me nos vasos e irrigar os músculos contraidos,
a respiração tornar-se lenta, súbita, inesperada,
o coração bem no centro do peito a cada "bum"!!!
Sinto a alma fluir, na direcção do que me consome.

Só o pestanejar se mantém constante, inalterado, hipnotizado.
Só por ele sei que o tempo não parou.

Prendam o nascer do Sol e o anoitecer.
O brilhar da Lua cheia e do seu sorriso.
A cor de fogo dos seus cabelos e o azul turquesa dos seus olhos.
O rasgar dos céus e o ribombar dos trovões.
A graciosidade do seu ser.

Prendam-nos a todos,
prendam-nos e ponham-nos numa caixa de vidro, transparente,
onde eu possa contemplá-los...

...sentir-me petrificar

Jack Pot
22 de Julho de 09

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Este mundo está contra os Homens!

Eu não diria que as mulheres dominam o mundo (é algo que nós Homens simplesmente não dizemos,porque faz parte do código moral masculino e deve ser respeitado), mas posso dizer que o moldam de maneira a dificultar-nos a vida, e nisso, têm muito jeito.

Ora pensemos,
porque é que em todos os filmes se ouve sempre um piano ou um xilofone quando um casalinho se chateia? Ou uma "música RFM" quando eles se reconciliam e o comemoram com beijos de casalinho?
(Para não falar da Banda Nacional Austríaca que toca em força sempre que alguém se vai suicidar ou morrer com uma facada pelas costas!)

É que na realidade não é assim.
E eu, porque sou um homem que gosta de certezas, fiz o teste, no que ao beijo diz respeito:
- Nada! Não há passarinhos a cantar nem os Keane a repetir-se vezes sem conta! - Apenas se ouve um ofegar crescente.

Isto é obra das mulheres!
Para fazer que sintamos necessidade de nos superarmos quando chega a hora de fazermos o nosso papel de machos latinos. Passam a vida a plantar em nós sementes do mal, e cuidam delas com a vida, até que floresçam viçosas.

"Ai aquela cena foi tão romântica, não foi? Viste a maneira como ele pegou na mão dela? E a música que estava a tocar, conseguia senti-la a interferir com o bater do meu coração....ai, gostava tanto que me levasses a um sítio daqueles..."

Não temos saída, senão ficar aquém!!

Por isso, caros amigos, temos que aprender a não nos metermos em enrascadas.
Regra número um do Jack:
I - Não as levem ao cinema (a não ser que o filme seja de terror!!!)

;)
Jack Pot

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Apresentação

My name is Pot.
JACK POT!

Não tenho 33 anos. Não nasci em Angola. Não sou Hindú. Não sou fã dos "blues" (desde que o Mourinho mudou de ares).
E não contava tanto sobre mim há já bastante tampo.

Quando não estou a ser latino, divirto-me a ser britânico.

O esculpir da peça de arte que será este blogue estará a cargo da minha pessoa, e da do meu amigo -------. (Eu sei que este seria um bom momento para dizer o seu nome, mas não gosto de me intrometer na vida dos demais, há-de apresentar-se quando achar conveniente)

Caros leitores, podem esperar de tudo, excepto pornografia. (tenho noção que metade desertou depois da última frase...mas às vezes sou descuidado com as palavras, não há nada a fazer)

Cartas de escárnio e mal-dizer serão muito bem vindas, e os seus autores convenientemente repudiados. Não queremos que falte nada.

Muito Boa Noite,
Até mais ver!

Jack Pot